o último texto do projeto (#30)

8 de novembro de 2016

 

Comecei o projeto 30 textos em 30 dias na impulsividade. Pra variar.

 

Desde sempre na minha vida tenho o hábito de ser muito intensa; o 40 não me interessa: eu quero 8 ou 80.

 

Hoje passando pela terapia, vejo como essa tendência de ser muito intensa é uma característica que muito tem a ver com a compulsão. Sou uma pessoa compulsiva em todas as áreas da vida.

 

Tomar a consciência desse fato me trouxe uma nova visão de mundo e de mim mesma. A partir disso, consigo observar meus comportamentos, manias, vontades que vêm do nada e minha impulsividade.

 

Comecei a escrever os textos do projeto literalmente na merda. Os remédios para controle da ansiedade que eu estava tomando me fizeram muito mal. Vivia letárgica, preguiçosa, triste, desanimada e sem atitude pra nada. Acordar, durante os meses de adaptação, foram terríveis. Eu lutava contra os efeitos do remédio todos os dias. Tinha crises semanais de compulsão, estava me sentindo vazia, sem perspectiva, sem brilho. Faltava um pedaço de mim.

 

Estou escrevendo esse texto tornando pública a minha vulnerabilidade. E tudo bem. Somos todos imperfeitos. Todos temos nossos monstros para lidar e nossas angústias. Quem sabe tornando o que era minha realidade há um mês atrás para esse espaço, eu possa encorajar outras pessoas a fazerem o mesmo?

 

 

Pois bem. Comecei o projeto na impulsividade. Numa segunda-feira, sem perspectiva nenhuma do que aconteceria. Por ser impulsiva, sempre tive, também, o péssimo hábito de nunca concluir projetos. Paguei meses de academia sem ir, desisti de inúmeros sonhos e possíveis projetos e a lista se estende por tudo que me propus a fazer por prazer/diversão.

 

Como disse no primeiro texto, nunca soube ao certo exatamente quando tomei paixão pela escrita. Mas escrever me relaxa. Me faz de espectadora das palavras. Me torna mais sensível ao mundo ao meu redor, para que eu possa escrever sobre ele.

 

Consegui escrever 30 textos em 30 dias. Interruptos. Mesmo sem vontade, mesmo sem inspiração, mesmo sabendo que não seria o meu melhor texto. Simplesmente cumpri o que me propus: escrever simplesmente por escrever.

 

Esse projeto me transformou. Trouxe de volta minha criatividade, minha percepção aguçada, minha serenidade e minha capacidade de escrever sobre qualquer coisa. Trouxe de volta aquela menina sonhadora, apaixonada pelos livros e fascinada pelo mundo das palavras. Trouxe novos leitores, trouxe amigos queridos pra perto, trouxe leitores anônimos. Trouxe amor, carinho e palavras de muito afeto dita por pessoas que eu jamais imaginaria que leriam os meus textos.

 

O que eu levo de mais precioso desse projeto são as pessoas que comentaram, conversaram comigo, se identificaram com os textos. Cada um de vocês me tornou a pessoa que estou hoje: realizada, com a certeza de estar no caminho certo, fazendo o que eu posso oferecer de melhor pro mundo – minha humilde capacidade de escrever.

 

E por mais que o projeto, oficialmente, tenha acabado, ainda tenho tanto pra escrever e tanto pra dizer que continuarei postando e escrevendo todos os dias. Esse espaço se tornou minha válvula de escape, o espelho onde eu me enxergo como verdadeiramente sou. E disso eu não abro mão.

 

A todos que chegaram até aqui, o meu muito obrigada. Com os olhos marejados e com a alma feliz, eu agradeço a cada um de vocês pela possibilidade de chegar mais perto através dos meus textos.

 

Obrigada. De coração.