um mês

29 de junho de 2017

Hoje faz exatamente um mês que minha vida mudou completamente. Mais uma vez.

Já escrevi aqui, há algum tempo atrás, que a minha vida tem dessas mudanças malucas, intensas, inexplicáveis e sempre inesperadas. Mas essa, até agora, foi a mais maluca e impactante de todas.

Essa semana fiquei pensando em tudo que passou nesse primeiro mês. Trinta dias que duraram um ano. Um misto de emoções, sensações, pontos finais e novas descobertas. Algo novo a cada dia.

Não conheço metade dos pontos turísticos da cidade – mas já sei qual o melhor mercado. Minha semana consiste em trabalhar e voltar para o meu quarto, que hoje é meu refúgio e meu silêncio. Tenho aprendido, cada dia mais, a escutar essa voz que durante muito tempo evitei ouvir. Tenho dias ótimos, dias bons e dias ruins. Dias que me sinto forte, capaz de dar conta do mundo. Dias que queria ficar deitada na cama, esperando o abraço que não chega. Lidar com a distância é o mais me dói.

Hoje consigo lidar bem com a solidão. O novo não me assusta tanto. Não sou mais aquela Júlia que pensou em desistir e voltar na primeira noite. Hoje olho pro céu e sei que um dia haverá alguma explicação para tudo isso. Sempre haverá.

Entre mudanças tão repentinas, estou me conhecendo novamente. Saindo do casulo que me serviu durante os últimos dez anos e redescobrindo uma carcaça nova, diferente. Algo entre o que fui e o que sou. Dando adeus para o que já foi e experimentando pisar em novos caminhos. Ainda é muito cedo para saber o que será. Eu continuo me apegando aos meus antigos gatilhos – comida, bebida, compra – mas sabendo que hoje eles não me servem mais. Uma espécie de despedida de quem eu fui.

Enquanto isso, acordo cada dia mais apaixonada pela cidade que me acolheu e que é o cenário dessa nova história. Agradeço todas as noites por ter a possibilidade de mudar, de ser outra pessoa, de poder reescrever a minha vida, de poder respirar fundo, longe do que me assustava e me fazia mal.

Hoje me peguei lendo um e-mail que mande para o Felipe em Janeiro/2014, quando estávamos passando pela nossa primeira grande dificuldade juntos, que sintetiza – mais uma vez – o que sinto hoje:

Tenho pra mim que passamos por uma tempestade – daquelas bem assustadoras – e que, apesar de todo medo do barulho, saímos ilesos e, depois da chuva, ao sairmos na rua para sentirmos o estrago, encontramos um lugar mais bonito, mais limpo, pronto pra ser construído novamente. É claro que nessa caminhada, ainda encontraremos muitas ruínas do que foi; mas isso nos dará mais força pra continuar construindo o novo, o bonito, a nossa paz.

A tempestade se foi. E o que se vê é um céu limpo, azul e a brisa do novo tomando posse do que já foi. É tempo de recomeçar.