30 textos em 30 dias: o projeto e o motivo (#1)

10 de outubro de 2016

Eu não sei exatamente quando comecei a gostar de escrever. Lembro vagamente de ter escrito, nos meados de 2000, um documento no WordPad chamado “Jornal da Casa Verde” que fazia referência ao bairro onde nasci e cresci.

O jornal de uma página tinha, basicamente, relatos sobre a rotina da casa onde eu morava com os meus pais e meu cachorro. Excepcionalmente no dia de lançamento da publicação, por ser final de ano, meus avós estavam dormindo em casa há alguns dias e, por isso, também viraram personagens das manchetes – que eram basicamente assim:

 

“Vovó Odete fez pudim de leite condensado”

“Cathito está dormindo embaixo da cadeira”

“Mamãe dá sua opinião sobre o Natal”

 

E, acreditem, dessas manchetes saíam textos. De três linhas, mas saíam.

Como imprimir era caro e minha impressora só tinha tinta preta, meu jornalzinho não tinha imagens “próprias”. Até porque nessa época eu nem sabia da existência do Google e quiçá da internet. Então fazia as ilustrações das matérias no estilo old school: recortando imagens de revistas e gibis.

Esse era um dos projetos mais legais da minha vida. Eu passava horas digitando, pesquisando pautas, entrevistando os moradores da casa e observando a rotina. Me sentia a Penélope, do Castelo Rá-Tim-Bum. A personagem, inclusive, foi quem me inspirou a fazer jornalismo quando criança (já mandei um e-mail pra Ângela Dip, a atriz que interpretava a Penélope, anos atrás contando isso; nunca tive resposta).

ó a Penélope aqui, caso alguém não lembre.

ó a Penélope aqui, caso alguém não lembre.

Hoje relembrando essa passagem curiosa da minha infância, percebi que escrever sempre foi a minha ferramenta de interação com o mundo – como se eu já tivesse nascido sabendo me expressar desse jeito. Não me lembro do meu primeiro texto, mas sei que o teclado do computador, a caneta e o papel sempre estiveram por perto. Sempre tive agenda, diário, caderno de anotações, blog (!) ou qualquer coisa que o valha. Escrever simplesmente por escrever.

Já escrevi poesia, crônica, livro, relato, matéria de revista, artigo, desabafo, cartinha de desculpas e cartão de amor. Não importa onde – o que importa é como. 

Mas de uns tempos pra cá, apesar da cabeça fervilhar de ideias, me falta inspiração e vontade de escrever. Como um hábito que eu abandonei em algum canto empoeirado.

Pensando nisso, me propus um desafio ambicioso: escrever um texto por dia durante trinta dias. Sem assunto específico, sem quantidade mínima ou máxima de palavras, sem motivo. Escrever simplesmente pra exercitar a máquina, pra relembrar a memória daquela menina que queria construir um foguete de papelão e ir pra Lua.

Como todo bom desafio, haverão altos e baixos: dias de textos incríveis, dias de textos horríveis. Mas não vou me ater à qualidade: agora eu quero mais é quantidade.

Testar, me desafiar, saber o que vai me inspirar, o que vai me motivar a escrever porque, afinal, somos o que fazemos com constância, não é mesmo?

Me acompanha nessa?

Um beijo,

Júlia

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