autenticidade em tempos de imitação

18 de agosto de 2015

Se tem um assunto que eu gosto e estudo com afinco, esse assunto é o auto-conhecimento. Não no sentido clichê do conceito, buscando respostas nos livros mais vendidos da semana; mas nos dias de hoje a gente tem que ter muito cuidado pra selecionar que tipo de informação e influência podem entrar na nossa vida – e essa percepção só se dá pela atenção que dedicamos aos nossos anseios, objetivos e sentimentos.

Trazendo esse conceito para a moda, como é possível, no meio de tanta referência, ter uma voz própria? 

Acredito que a partir do momento que EU me escuto, me conheço e entendo meus gostos, a chance de ser influenciada por blogueira de moda, revista do mês ou ‘must have’ da passarela é quase nula. A superficialidade acaba não fazendo mais sentido. Adianta se comparar com a modelo da revista, que demorou três horas pra ser maquiada, montada e corrigida pra ser a capa do mês?

Dá pra confiar e apoiar suas expectativas internas na ilusão de uma foto? De uma vida editada e pautada em look do dia, must have, tendência, pra copiar já!, comprinhas da semana , esmalte da semana e photoshop? Onde fica a autenticidade? E a imperfeição?

Eu já fui assinante de revista de moda. Já acompanhei blogs. E sei como isso me afetou negativamente: consumia muito mais, me sentia frustrada por não ter ‘aquele corpo’, ‘aquele cabelo’, ‘aquela bolsa’. Só depois de conseguir ouvir a MINHA voz interna, eu consegui me desvencilhar dessas amarras “invisíveis”: parei de prestar atenção nos ruídos externos e hoje tenho uma relação muito mais saudável com a internet, com o meu corpo e com os meus interesses.

Se eu escolhi ser consultora de estilo, é porque sei como é difícil apertar o botão do “mute” da vida pra prestar atenção em si e num dos maiores questionamentos que faço e aplico para todos os segmentos da vida: quem você é? o que você deseja transmitir? como traduzir essa informação nas roupas, na rotina, nas relações?

A resposta nunca vem de bate-pronto e talvez ela nunca esteja completa (ainda bem! que chato ser a mesma pessoa durante toda a vida!), mas o fato de conseguir se fazer essa pergunta e, aos poucos, ir descobrindo paixões e preferências, já é metade do caminho.

"mude sua perspectiva"

“mude sua perspectiva” – ilustração do LINDO Buddha Doodles

 

 

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