dá pra ser feliz comendo o que gosta: trilhando o caminho do equilíbrio

13 de abril de 2016

vamos nos amar mais? <3

vamos nos amar mais? <3

Vamos falar sobre comida e auto aceitação?

Sempre tive antipatia por dietas. Apesar de, obviamente, já ter tentado uma ou duas vezes fazer a “dieta milagrosa da moda”, nunca tive êxito nessas loucuras.

Já escrevi há algum tempo atrás um texto a respeito da compulsão (você pode ler o texto aqui), um transtorno alimentar que me acompanha há alguns anos e que deve ser tratado de maneira séria e com pessoas que entendam do assunto: foi aí que eu conheci a Ana Carolina, nutricionista e autora do maravilhoso blog O Corpo é Meu.

A Carol tem diversas especializações e trata principalmente de pacientes com transtornos alimentares. E, mais importante que suas especializações e a maneira como ela leva a sério os estudos sobre alimentação, existe algo maior e mais nobre que isso: a maneira como ela conduz para que façamos as pazes com o nosso corpo.

Admiro demais o trabalho dela e por isso resolvi fazer algumas perguntas para postar aqui no blog. Espero que vocês gostem!

1) A maioria das mulheres tem uma obsessão por dieta e por um “corpo perfeito”. Dentro do seu entendimento e da sua experiência, quais são os fatores que influenciam nessa questão?

Acho que hoje vivemos num estado de “insatisfação normativa”, ou seja, se você não acha que tem algo “errado” a ser melhorado e aperfeiçoado em você, parece que você é um ser de outro mundo. Como assim posso gostar do meu corpo? Parece até que é crime! Acredito que um dos grandes responsáveis seja o padrão de beleza que ainda é bastante propagado pela mídia – e pelas próprias pessoas que falam de forma negativa de seus corpos o tempo inteiro! -, que é um padrão muito rígido e pouco inclusivo. Sempre que houver um padrão de “corpo ideal”, vai haver pessoas que estarão fora dele e talvez se sentirão mal por isso. Outra questão é que muitas pessoas acreditam que a única maneira de melhorar sua autoestima e se sentirem mais confiantes é mudando o corpo, e essa crença não é verdadeira. 

2) Quais são suas dicas para as pessoas que buscam mudanças definitivas na sua relação com o corpo? 

Primeiro de tudo, você precisa querer tentar se respeitar e se gostar um pouco mais. De fato, só cuidamos daquilo que gostamos! Quando temos desprezo pelo nosso corpo, qual a vontade que teremos de ir atrás de um exercício prazeroso ou de comprar legumes frescos para montar uma bela salada? Em segundo lugar, ter autocompaixão e tolerância com o processo de mudança, que por ser um processo que envolve autoconhecimento é gradual, lento, porém mais duradouro a longo prazo!

3) Qual sua opinião (profissional e pessoal) a respeito das musas fitness? Você acredita que elas possam motivar positivamente as pessoas que procuram motivação?

Minha opinião pessoal é de que cada um deve seguir sua vida e perseguir os objetivos que façam sentido para si da maneira como achar melhor. O título de meu blog, afinal, é “O Corpo é Meu”, ou seja, a escolha sobre o que fazer com o próprio corpo e como cuidar dele é de cada indivíduo. Porém, minha opinião profissional é de que as assim chamadas “musas fitness” poderiam ter um pouco mais de responsabilidade sobre aquilo que divulgam e postam, pois o que para uns pode ser encarado como “motivador” para outros pode ser extremamente nocivo, levando à adoção de práticas não saudáveis de alimentação e de controle do corpo.

4) Qual o segredo para se manter uma alimentação saudável? Afinal, o que define uma alimentação saudável? As vezes percebo uma certa “histeria alimentar” em cima de alimentos como: ovo, chocolate, queijo, carne… afinal, tem motivo disso?

(risos!) Se há histeria, é quase certo de que coisa séria e científica não é! Uma alimentação saudável é uma alimentação variada, equilibrada, que leva em conta fatores biológicos de cada um mas também fatores sociais e psicológicos. Tem um texto de uma nutricionista americana chamada Ellyn Satter que define bem o que é, para mim, comer de forma saudável:

“Alimentar-se normalmente é ser capaz de comer quando você está com fome e continuar comendo até você ficar satisfeito. É ser capaz de escolher os alimentos que você gosta e comê-los até aproveitá-los suficientemente – e não simplesmente parar porque você acha que deveria. Alimentar-se normalmente é ser capaz de usar alguma restrição na seleção de alimentos para consumir os alimentos certos, mas sem ser tão restritivo a ponto de não comer os alimentos prazerosos. Alimentar-se normalmente é dar permissão a você mesma para comer às vezes porque você está feliz, triste ou chateado ou apenas porque é tão gostoso. É também deixar alguns biscoitos no prato porque você pode comer mais amanhã ou então comer mais agora porque eles têm um sabor maravilhoso quando estão frescos. Alimentar-se normalmente é comer em excesso às vezes e depois se sentir estufado e desconfortável. Também é comer a menos de vez em quando, desejando ter comido mais. Alimentar-se normalmente é confiar que seu corpo conseguirá corrigir os errinhos da sua alimentação. Alimentar-se normalmente requer um pouco do seu tempo e atenção, mas também ocupa o lugar de apenas uma área importante, entre tantas, de sua vida. Resumindo, o “comer normalmente” é flexível e varia em resposta às nossas emoções, nossa agenda, nossa fome e nossa proximidade com o alimento.” (Satter, 1987)

5) Também percebo uma polaridade extrema com relação às refeições: ou é um almoço de filé de frango + salada ou um jantar com chesburger, milkshake e batata frita com cheedar. Dá pra se alimentar bem sem ter que “pender” para um dos lados?

Estamos acostumados a dicotomizar a comida e nos relacionar com ela no modo “8 ou 80”: ou eu faço tudo “perfeito” e como salada com frango ou então “dane-se”, vou ao rodízio e como até me sentir estufada. Alimentar-se bem requer, de novo, equilíbrio e variedade.  Requer também escutar os sinais do corpo. Será que depois de batata frita com cheddar e um super cheeseburger ainda cabe milkshake? Ou será que não posso deixá-lo para uma próxima? Será que só salada e frango vão me sustentar até a próxima refeição? será que eu gosto da combinação salada e frango???

Para finalizar, a Carol atende em São Paulo/SP e pode ser encontrada no e-mail: carolpcosta@gmail.com. 

Você tem perguntas sobre o assunto? Manda pra cá! Escreva nos comentários! <3 Vai ser muito bom fazer uma segunda parte do assunto pra fomentar a discussão!

Beijos!

 

 

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