é bom andar a pé (#19)

28 de outubro de 2016

(antes de começar a ler: escute a música)

 

Como moradora de São Paulo, posso me considerar uma pessoa de muita sorte: moro a exatos dois quilômetros do trabalho. Apesar da minha sorte – que foi uma escolha premeditada de morar perto do trabalho e/ou do metrô, artigo de luxo nos dias de hoje – sou tomada por uma série de sentimentos e pensamentos derrotistas que me fazem ir de carro todos-os-dias-da-semana. 

 

saquinho da vergonha pra mim

 

Não me orgulho dessa condição e nem acho muito confortável porque, mesmo sendo uma curta distância, o trânsito ainda me irrita e dirigir não é a minha atividade preferida. Mas, como disse, eu sou muito boa em inventar desculpas derrotistas pra mim. A principal é “vou chegar suada”.

 

Realmente eu transpiro muito. Por questões fisiológicas e hereditárias (sabia disso?). E por mais energia negativa que eu coloque nessa condição, surpresa, ela NÃO muda. Pelo contrário: quanto mais nervosa, mais eu transpiro.

 

tipo isso

 

Pensando na distância ridícula, no horário de verão, nos benefícios físicos que são gerados por simplesmente mexermos nosso corpinho e na sensação maravilhosa que é ter endorfina circulando loucamente pelo corpo depois de uma caminhada, resolvi vir a pé para o trabalho durante dois dias. E, pra mim, isso foi uma das coisas mais legais da semana.

 

Pra você, pessoa normal, deve ser ridículo eu comemorar isso. Mas eu estive numa fase bem complicada nesses últimos meses que, pra levantar da cama, era um sacrifício (sério). Comecei a tomar remédios para controlar a ansiedade e a compulsão e na fase de adaptação eles mexeram MUITO com a minha disposição e interesse nas coisas. Isso é assunto pra outro dia.

 

 

Mas andar esses quatro quilômetros por dia foram maravilhosos. Eu me senti ‘despertando’, como se meu corpo estivesse sentindo falta de ser movimentado e ‘usado’. Transpirei? Bastante. Mas, sabendo da minha condição genética para a sudorese, comecei a driblar o incômodo trazendo uma troca de roupas na mochila, uma toalhinha de rosto, um kit sobrevivência com sabonete líquido pro rosto, desodorante e perfume e andar com uma garrafinha de água bem gelada, pra ir tomando uns golinhos no decorrer do percurso. E, claro, um tênis confortável pra aguentar as calçadas esburacadas de SP.

 

Já tinha vindo algumas vezes andando pro trabalho, mas tentei observar a experiência com outra perspectiva, prestando atenção nos detalhes, na rua, nas pessoas que passam por mim, na música que tá tocando, no céu, no Sol, nos passarinhos. Coisas que passam no automático quando estamos dentro do carro, protegidos pelo vidro e pelo ar-condicionado.

 

Pretendo aumentar, gradativamente, a quantidade de dias que farei o uso exclusivo do “expresso canelinha” (vulgo minhas pernas). É bom andar a pé.

 

 

 

“esqueça tudo, que tudo sobrevive
isto é tempo livre pra viver
é bom saber
saber não ocupa lugar
andar acompanhado de ti
faz meu coração se sentir
melhor”