migalhas

13 de janeiro de 2017

Reciprocidade é uma das bases de todo e qualquer relacionamento, na minha opinião. A via que liga os dois pontos tem que ser de duas mãos: nem pra lá, nem pra cá. Um caminho de ida e volta, livre.

 

Na teoria é lindo. Mas na prática nem sempre funciona assim.

 

Por medo, excesso de bondade ou falta de auto-estima, permitimos relações de mão única, que te sugam e te desprezam, te ignoram e te procuram (quando estão precisando, claro) e geralmente se denominam como “pessoas que gostam de você”.

 

Só que, sendo bem clara, a pessoa não gosta de você; a pessoa gosta de se aproveitar de você – o que é bem diferente e, obviamente, cansativo.

 

Se aproveita da sua capacidade de escutar pra viver reclamando.

 

Se aproveita da sua capacidade de estar disponível pra reclamar mais um pouco – dessa vez, pessoalmente.

 

Se aproveita da sua inocência pra cometer as maiores mancadas, justificando sua falta de bom senso e empatia no tempo, na vida, na correria e na SUA personalidade (porque afinal, esse tipo de pessoa NUNCA erra).

 

Isso é um relacionamento abusivo. E quando você percebe isso, dói. Não pela pessoa, por você. Por ter permitido que isso acontecesse. Por não ter dito “basta”. Por não ter reconhecido os sintomas de um problema que você já conhece muito bem.

 

Não quero meu troco em balas, como diria meu grande amigo Bock. Quero reciprocidade, conexão, empatia, troca, ouvidos atentos e respeito, acima de tudo.

 

Quero receber exatamente o que eu dou. Sem desculpas, sem botar a culpa na vida, sem drama.

 

Num banquete, não aceito mais me contentar com as migalhas, com momentos minúsculos de lembrança e atenção. Temos que parar com essa mania de aceitar menos do que a gente merece.

 

A estrada de mão única está fechada. O asfalto rachou, rompeu, esfarelou. Não vou permitir maiores danos à estrutura. A rodovia está fechada e sem previsão de retorno.

 

Relacionamentos abusivos só existem porque, por algum motivo, nós permitimos que eles existam.