o contínuo exercício do amor-próprio [#ocadernoconvida: Amanda Marsula]

8 de setembro de 2015

Hoje inicio uma nova categoria de textos aqui no blog: #ocadernoconvida vai trazer textos de pessoas que se interessam por moda e estilo e que desejam escrever sobre o assunto de uma maneira menos afetada, pautado principalmente no auto-conhecimento e na auto-estima. 

A convidada de hoje é a Amanda Marsula, uma querida que a vida colocou no meu caminho e que eu sou muito grata por tê-la por perto. <3

Interessou? Quer participar? Escreve pra mim: oi@juliameirelles.com.

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O contínuo exercício do amor-próprio, por Amanda Marsula

Desde pequena sentia uma fascinação enorme por aquelas mulheres maravilhosas de cabeça erguida, sustentando suas roupas com a leveza de bailarinas e precisão de cirurgiões. Para mim, elas eram deusas – deusas felizes e confiantes. E eu queria ser como elas.

Eu era uma criança teimosa, raramente deixava de dar um pitaco nos “lookinhos” que minha mãe montava para mim. Gostava de escolher e montar roupas sozinha, era um início de independência que me enchia de orgulho.

Na adolescência (fase terrível), briguei comigo e com o espelho. Experimentei e passei por todos aqueles típicos dramas, fases esquisitas e roupas disformes. Não sabia o que ficava bem, não tinha muita ideia do que ficava bem em mim e a insegurança que me levavam a vestir roupas não por mim, mas pelos outros.

E então, cansada, decidi que era hora de dar uma trégua a mim mesma. Olhar para o espelho, pedir desculpa por todas as brigas e abraçar aquilo que eu mais amava em mim mesma.

Aprendi a selecionar peças com inteligência e que me caíssem bem, aprendi a me vestir não para as pessoas ao meu redor pararem e olharem – me visto, hoje, para mim mesma. Para cruzar com espelhos e abrir um sorriso. Finalmente me senti como a criança que uma vez fui, mas dessa vez minha admiração estava em mim mesma.

 Eu me tornei uma daquelas mulheres fantásticas que andam flutuando numa nuvem de confiança. E isso foi um exercício. Conjuguei o verbo de maneira errada, é um exercício. Foi aceitar meu corpo, meu quadril largo, meus ombros grandes e minha postura um pouco desajeitada. Foi aprender a amar o modo como as pintinhas se espalham meu colo ou como o meu nariz, grande e marcante, fica quando estou de perfil. Foi apreciar o modo como certas cores contrastam com a minha pele de um jeito bacana e que outras harmonizam e suavizam minha silhueta. Foi olhar para mim mesma e falar: Você é também uma deusa , inexplicavelmente linda e ninguém pode te dizer que não. A moda, coisa que muitos tendem a relacionar com futilidade, para mim foi como uma reconquista da minha confiança perdida.

Não pela marca que visto, não por como me veem na rua… Mas por abrir um sorriso e gostar daquilo que enxergo quando me vejo de relance num espelho. Vestir-se bem não é estar a par com as tendências ou estar vestida para a ocasião. Vestir-se bem é estar confiante na sua própria pele, feliz com o resultado e completamente despreocupada com que os outros vão pensar – você não precisa da opinião dos outros, você já sabe que é incrível.

O aprendizado disso é uma caminhada com tropeços, compras por impulso e roupas que te deixam insegura, mas é cheio de ensinamentos. Se conhecer é estar apaixonada pela sua própria imagem de maneira positiva – entendendo seus defeitos e não os odiando, mas sem fazer vista grossa, lembrando que eles fazem parte da sua existência. E quando nos conhecemos e reconhecemos nosso eu-do-espelho, ai sim, é quando chegamos na fase de sermos nossas próprias musas.

A inspiração sem personalidade é apenas a cópia de alguém, algo raso e sem graça. Ao inserirmos um pouco de nós, de nossa vaidade, no modo como nos vestimos, é sim passar ao mundo uma mensagem de amor-próprio, mas mais importante, é mostrar para nós mesmas que somos sim deusas, mulheres lindas e únicas.

Olhe-se no espelho e se abrace. Faça o bem a você mesma se dando o amor que merece.