o som do silêncio

27 de abril de 2016

Semana passada eu e meu marido resolvemos viajar. Sem planejamento antecipado – como estamos acostumados a fazer durante anos. Resolvemos sair da bolha do desânimo, da crise e dos problemas para respirar um pouco de ar puro, em todos os sentidos.

Fomos para Santo Antônio do Pinhal, uma cidade serrana, vizinha da badalada Campos do Jordão com o benefício de ser menos povoada e um pouco mais barata. Uma versão mais simples e mais bonita.

A ideia era relaxar. Conversar sobre qualquer coisa que não fosse o último post daquela pessoa polêmica ou a notícia absurda daquele site. Fazer uma desintoxicação de energias ruins, de notícias negativas e de acontecimentos passados.

De tempos em tempos sinto a necessidade de parar. De repensar caminhos, prioridades e objetivos. Gosto de recomeços. Gosto da sensação de página nova. Não é a toa que desde criança tenho o estranho (e delicioso) hábito de cheirar páginas de livros novos. O novo me fascina.

Andamos sem rumo pela pequena cidade. O Waze não funcionava. O celular também não. Nos vimos livres da tecnologia e percebemos como somos viciados nela. É bom se perder pra depois se achar.

Entre as descobertas, chegamos ao Pico Agudo. Um dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira que possibilita uma visão 360º de algumas cidades do Vale do Paraíba.

O passeio por si só vale o trajeto (de terra, pedras e subidas estreitas) – mas algo me chamou mais a atenção que a vista deslumbrante: o contemplamento.

uma das fotos que tirei, do alto do pico.

uma das fotos que tirei, do alto do pico.

O assunto me rendeu uma reflexão: qual foi a última vez que você conseguiu manter um olhar contemplativo? Qual foi a última vez que você ouviu o som do silêncio?

O estado de contemplação, pra mim, é estar sem palavras. É sentir gratidão por ter a possibilidade de simplesmente admirar algo. É sentir-se pequeno diante da imensidão da natureza, de uma obra feita por mãos humanas, de ouvir uma música que faz sua alma tremer… algo que te tire do chão por segundos.

Escrever ‘som do silêncio’ até parece brincadeira. Mas o silêncio tem som. Existem silêncios tão barulhentos que tocam o chão. Existem silêncios que precedem uma decisão. Existem silêncios de luto. De medo. De amor. De tensão. De tesão. E silêncios de contemplação.

Quando algo me tira do chão, me deixa sem palavras, me faz pequena numa imensidão infinita, me faz perceber o tamanho da minha rasa existência… é um estado de contemplação. Esses momentos são raros, mas são maravilhosos.

O que eu desejo pra sua vida hoje é que você tenha estados de contemplação. Que você conheça o som do silêncio, da paz de espírito, do amor genuíno. Que você escute a voz da sua alma. Que acredite na sua intuição. Que você se veja tão pequeno e tão grande num curto espaço de tempo. Que você aprenda ao observar a natureza. Que você se emocione ao ver a grandiosidade do céu, da vida, do amor…

Em tempos tão escuros e cheios de nuvens carregadas, que sejamos luz. E que possamos permitir que o acaso nos surpreenda positivamente.

 

 

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