vai com medo mesmo

7 de dezembro de 2016

 

Apesar de bem-resolvida em muitos aspectos da minha vida, sigo varrendo alguns problemas para debaixo do tapete. Junto uma poeirinha aqui, um vaso caído acolá e empurro esses pequenos acidentes pra um lugar que eu não consiga vê-los: de preferência para bem longe da minha bolha de conforto.

 

 

Comparo essa mania como a de alguém que vive jogando a roupa no armário sem se preocupar na arrumação. Uma hora essa quantidade de roupa vai começar a fazer volume e o guarda-roupa não vai fechar.

 

Trazendo essa metáfora para a vida real: as roupas são o problema e eu sou o guarda-roupa, muito prazer. 

 

Existem algumas questões que por comodismo, medo e baixíssima auto-estima, fui levando no banho-maria durante anos. E quando eu digo anos, subentenda-se que essas questões atravessaram grande parte da minha vida adulta – que ainda é curta, mas já é cheia de complicações.

 

Pois bem. Nessa hora não adiantam metáforas e exemplos. A hora de decidir chegou. Estou no meio de uma estrada com duas grandes bifurcações em frente. Qualquer que seja o caminho que eu escolher, ele vai me trazer ônus e bônus. Só depende de mim saber o peso da consequência que eu estou disposta a carregar nos próximos anos.

 

E esse assunto está me fazendo perder o sono. Logo eu que durmo em qualquer canto. Porque a decisão é minha e, portanto, a consequência também.

 

Sinto um misto de medo, ansiedade, otimismo, desespero, alívio, tristeza e liberdade em menos de um dia. Penso, repenso, faço conta, converso, finjo que não ligo, faço contatos, penso, penso, penso…

 

Não sei em que ponto da vida me tornei essa cagona que vos fala. A responsabilidade traz consigo o medo e a insegurança. E se não der? E se não for? E se eu não for capaz? Vinte e sete anos de questionamentos.

 

 

Tento mentalizar aquela frase de auto-ajuda “vai com medo mesmo” mas tem hora que dá medo de pensar assim. Não consigo pular do trampolim se não sei o mar que me espera lá embaixo. Já disse que sou cagona.

 

Mas atualmente ficar na beira do trampolim com os pés tremendo e as mãos suando tem me feito pior do que se eu já tivesse pulado. Anos e anos de reflexão, de contas feitas, de simulações pra nunca pular, pra ficar sempre na beira do abismo, pra ficar pensando “e se”, vivendo de amarras, cabrestos e sentimentos corroídos.

 

Pois bem. A hora chegou. Hora de dar o passo, mesmo que ele seja maior que a perna. Mesmo eu achando que não vou dar conta. Mesmo perdendo o sono. Tomei a coragem num gole só e estou me distanciando da base do trampolim pro pulo lá pra baixo ser maior – não necessariamente melhor.

 

Resolvi mesmo com medo ser protagonista da minha história. Tirar essa roupa que me serviu durante tantos anos e que hoje me aperta. É hora de saltar.