vida, louca vida

8 de junho de 2017

Sumi e não nego minha culpa. As coisas – para variar – acontecem de maneira tão radicais na minha vida que eu tenho que, antes de atualizar esse espaço tão querido, arrumar a bagunça que se faz presente antes de falar sobre ela.

foto tirada por mim, hoje, no caminho de casa

O fato da vez é que eu estou morando em Portugal desde o final de Maio. Foi uma mudança abrupta causada por uma proposta irrecusável de trabalho. Tive 25 dias para resolver a minha vida, fazer despedidas e explicar a mudança sem matar as pessoas do coração. Se pra mim que adora mudanças já foi um BAITA susto, imagina pra quem soube na prorrogação do segundo tempo?

É claro que essa mudança não foi a coisa mais fácil do mundo. Ouso dizer que, até hoje, foi uma das mudanças mais assustadoras da minha vida. É como se jogar de uma montanha e ficar em queda livre.

Toda a vida que eu conhecia nesses últimos anos foi trocada por uma experiência completamente diferente. Um país novo, numa casa nova, com pessoas novas, numa rotina completamente diferente e longe de tudo que me sustentou durante todos esses anos: as pessoas que eu amo.

Essa falta é o que, dentre todas as faltas, mais machuca. É uma dor física, estranha. Têm dias que dói mais, têm dias que dói menos. Dias que eu acordo achando que vai ficar tudo bem e me pego enxugando lágrimas a caminho de casa, depois de mais um dia. Um leão por dia.

Apesar de todos os desafios, tenho me permitido ficar triste, chorar. Acredito que isso faça parte do processo de aceitação – de uma espécie de luto pelo que já foi. Eu já não sou mais a mesma. Estou num limbo, adaptando-me ao novo, desapegando-se do passado, dando mais atenção – e valor – aos que eu deixei no Brasil. Aqui vale uma menção honrosa ao Felipe, meu amado, que tem segurado as pontas de forma magistral durante esse período.

Mas mesmo nesses momentos, é possível enxergar a beleza. Tenho calibrado meu olhar para descobrir a graça no caminho; o que ninguém fala, o que ninguém vê; o que as pessoas que descem na estação não percebem. A solidão tem me feito companhia e ainda estou aprendendo a lidar com ela. E isso também faz parte do processo.

Escrever aqui, como sempre, acaba sendo uma das minhas válvulas de escape preferidas. E vou aproveitar esse momento da minha vida para depositar aqui meus pensamentos e minhas impressões pessoais sobre a cidade. Tudo é muito novo. Até mesmo pensar sobre isso.

Hoje, em algum momento, olhei pro céu e pensei comigo: a vida é boa. Mesmo que eu tenha acordado chorosa, saudosista e morrendo de vontade de beijar e abraçar meus amores. Mesmo que todo dia seja uma nova batalha. Mesmo que ás vezes incomode saber que, nesse momento, eu sou uma lembrança, uma voz, uma foto, uma imagem da webcam. Hoje eu sou um texto. Alguém do outro lado do oceano num fuso horário de quatro horas a mais. Enquanto me preparo para dormir, boa parte de vocês está chegando em casa.

A vida é isso. Chorar, ter medo, sorrir, sentir. Apreciar os pequenos detalhes. Sentir saudades. Sofrer com a solidão e, ao mesmo tempo, tê-la como sua melhor amiga. A vida é boa. Saímos destroçados de algumas batalhas mas estamos aqui, vivos, prontos para mais alguns embates.

Um beijo, choroso, ao som de Cartola.

outra foto tirada por mim

 

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