você é o suficiente

22 de dezembro de 2016

É tão óbvio mas, ao mesmo tempo, tão complicado lidar com essa afirmação que eu não me culpo de, durante todos esses anos, não tê-la utilizado nas horas que eu mais precisava.

 

 

Temos o hábito de superestimar os acontecimentos da nossa vida. De nos proteger dentro de uma suposta bolha de conforto, sendo invisíveis ou torcendo para que nada de mal nos aconteça. Instalamos câmeras nas nossas casas, vivemos numa constante paranoia pensando sobre “o que de mais terrível pode acontecer comigo?” e transformando acontecimentos do cotidiano numa cena de filme de terror.

 

muahahaha

 

E aí, por transformarmos qualquer acontecimento em um pesadelo somando a isso o fato de acharmos que somos fracos e/ou não damos conta de qualquer coisa que seja ruim, triste ou simplesmente chata, usamos das mais diversas válvulas de escape pra não pensar sobre isso: comida, cigarro, bebida, sexo, compras, trabalho, etc…

 

Só que essas coisas continuarão a acontecer. Mesmo você se ‘protegendo’, fugindo e evitando. Não há o que fazer com o acaso, com o destino. Ele estará lá: implacável. Independente da sua vontade.

 

Carros vão quebrar ou bater. Pessoas vão te decepcionar. Aquele momento que você tanto esperava, no final das contas, pode ser uma merda. E tudo bem. Nós damos conta.

 

Evitar o sofrimento faz com que soframos mais. Porque geralmente aquilo de terrível ou catastrófico que pode nos acontecer NUNCA acontece.

 

Evitar a tristeza, a decepção e a frustração não vai fazer com que elas não existam. É como querer expulsar um convidado chato da sua festa: enquanto você está pensando como é ruim tê-lo por lá, você está perdendo todas as outras coisas boas que estão acontecendo ao redor.

 

Não dá pra evitar o imprevisto. Mas dá pra aprender a lidar com ele. Sabendo que somos o suficiente, que temos recursos internos para lidar com os problemas. E se não tivermos ou se o problema for muito maior que a nossa capacidade de atravessá-lo, temos nossa rede de apoio (amigos, família, companheiro(a)). O importante é saber que nada é pra sempre: nem os bons e muito menos os maus momentos.